Aumentando a cada dia, a poluição atmosférica paulistana mata até 3 milhões por ano
Irritações nos olhos, narizes e gargantas secas, cansaço e dores de cabeça. Estes são alguns dos males dos quais padecem, diariamente, os paulistanos, principalmente nos dias que registram altos índices de poluição. Os automóveis, juntamente com as indústrias, são os principais poluidores do ar nas grandes cidades.
Com o crescimento da frota de veículos em circulação, o nível de poluição atmosférica nas cidades tem aumentado. Segundo dados da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), as vendas estão 32,76% mais elevadas.
Há um aumento no lucro da indústria automobilística, mas para a saúde só sobram prejuízos. Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), 3 milhões de pessoas morrem anualmente devido aos efeitos nocivos causados à saúde pela poluição veicular. Esses efeitos são, principalmente, respiratórios. Luciana Porto, operadora de telemarketing, sofre constantemente, pois possui rinite. “Noto nitidamente quando o ar está mais poluído” diz ela. “Não consigo respirar direito”.
Segundo Hélio Neves, assessor especial do gabinete do secretário de Verde e Meio Ambiente de São Paulo, a prefeitura e o governo do Estado estão tentando diminuir a circulação de veículos com a ampliação da rede de metrô e com o aumento de corredores de ônibus, fazendo com que haja menos emissão de poluentes. Mas como esses projetos são de longo prazo, o governo toma outras medidas a partir de maio. “O que se pode fazer por enquanto é a inspeção veicular com caminhões e ônibus, que deve diminuir 30 % da poluição do ar na cidade.”, afirma Hélio. “Este projeto se estenderá a toda a frota de veículos de São Paulo a partir do ano que vem”.
Foi inaugurado este ano, dia 30 de abril, o primeiro Centro de Inspeção Ambiental Veicular no Jaguaré. No total, serão instalados na cidade de São Paulo, pela Prefeitura, 35 postos de verificação. No Programa, a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) terá o papel de órgão fiscalizador.
Além dos automóveis, outro vilão para a saúde dos paulistanos é o setor industrial. No total, a indústria de São Paulo lança no ar 29 milhões de toneladas de CO2 por ano, segundo dados do governo do Estado.
Petra Sanchez Sanchez, professora titular do Programa de Pós-Graduação da Universidade Presbiteriana Mackenzie, trabalhou na Cetesb por mais de 26 anos. Ela diz que a situação da cidade em relação à poluição está cada vez mais caótica, mas que devemos ser otimistas e agir individualmente para o bem estar geral. “Uma solução no caso dos transportes é diminuir o uso de derivados do petróleo e aumentar o uso dos combustíveis alternativos, além do maior uso de transporte público e construção de vias rápidas. Já no caso das indústrias, a solução é a captação de poluentes com filtros. Especificamente no caso das indústrias de papel, estas devem comprometer-se com o reflorestamento”, explicou. “A arborização da cidade também ajudará na diminuição de poluentes”.
Por Aline e *May*.
Foto: O Globo Online